Doenças agudas
Conjuntivite: tratamento, contágio e consulta online
6 min de leituraRevisão clínica por Dr. Gonçalo Espínola · Cédula OM 77599
Olho vermelho, comichão, sensação de areia e secreções que colam as pestanas ao acordar: a conjuntivite é uma das queixas oculares mais frequentes e, na maioria dos casos ligeiros, tem evolução benigna. Trata-se da inflamação da conjuntiva, a membrana fina e transparente que cobre a parte branca do olho e o interior das pálpebras, e pode ter causas infecciosas (vírus ou bactérias) ou alérgicas.
Este artigo explica os tipos de conjuntivite, as medidas de higiene e de alívio que ajudam em casa, a questão do contágio na escola e no trabalho, o que uma videoconsulta permite avaliar e, sobretudo, os sinais que exigem observação oftalmológica presencial urgente. A informação é geral e educativa: não substitui a avaliação individual feita por um médico. Em caso de emergência, ligue 112.
O que é a conjuntivite e que tipos existem
A conjuntivite pode ter várias origens, e cada uma tende a comportar-se de forma diferente. A viral é a mais frequente, muitas vezes associada a constipações, e costuma causar olho vermelho e lacrimejo, frequentemente começando num olho e passando ao outro. A bacteriana tende a produzir secreções mais espessas e amareladas, que colam as pálpebras. A alérgica afeta habitualmente os dois olhos ao mesmo tempo, com comichão intensa como queixa dominante, e surge muitas vezes em pessoas com rinite alérgica.
Na prática, os quadros sobrepõem-se e nem sempre é possível distinguir com certeza o tipo de conjuntivite apenas pela observação, ainda menos à distância. O médico avalia o conjunto dos sintomas e da história e orienta o passo seguinte, sem prometer uma distinção garantida por videochamada.
- Viral: olho vermelho e lacrimejo, muitas vezes no contexto de uma constipação; frequentemente passa de um olho ao outro
- Bacteriana: secreções espessas e amareladas que colam as pálpebras, sobretudo ao acordar
- Alérgica: comichão intensa nos dois olhos, lacrimejo e olhos inchados, muitas vezes com espirros e nariz a pingar
Medidas de higiene e de alívio em casa
Independentemente da causa, algumas medidas simples ajudam a aliviar o desconforto e a evitar o agravamento. A limpeza suave das secreções e a higiene das mãos são a base do tratamento de suporte na maioria dos casos ligeiros.
Evite automedicar-se com colírios que tenha em casa de episódios anteriores ou emprestados por outra pessoa. Em particular, nunca use colírios com corticoide sem indicação e acompanhamento médico: em certas infeções oculares podem agravar seriamente a situação e pôr a visão em risco.
- Lave as mãos com frequência e evite esfregar ou coçar os olhos
- Limpe as secreções com compressas limpas, uma para cada olho, do canto interno para fora
- Compressas frias podem aliviar a comichão e o desconforto, sobretudo na conjuntivite alérgica
- Lágrimas artificiais de venda livre podem ajudar a aliviar a irritação; peça aconselhamento na farmácia em caso de dúvida
- Suspenda o uso de lentes de contacto até avaliação médica e não partilhe toalhas, almofadas ou maquilhagem dos olhos
Contágio: escola, trabalho e cuidados a ter
As conjuntivites virais e bacterianas são contagiosas e transmitem-se sobretudo pelas mãos e por objetos partilhados, como toalhas e almofadas. A alérgica não é contagiosa. Em ambientes com contacto próximo, como escolas, creches e locais de trabalho, o risco de transmissão é maior enquanto houver olho vermelho e secreções ativas.
A decisão sobre afastamento da escola ou do trabalho depende da situação concreta, do contexto e da avaliação do médico. Reforce a higiene das mãos, evite partilhar objetos de uso pessoal e siga a orientação médica sobre o regresso às atividades.
O que a videoconsulta permite avaliar
Numa videoconsulta, o médico recolhe a história clínica (início e evolução dos sintomas, contexto de constipação ou alergia, contactos com casos semelhantes, uso de lentes de contacto) e pode observar o olho através da câmara: vermelhidão, secreções, inchaço das pálpebras. Com base nessa avaliação, orienta as medidas de alívio, pondera a prescrição de tratamento quando clinicamente indicado e define o que vigiar.
A câmara ajuda, mas tem limites reais: não substitui o exame oftalmológico com os aparelhos próprios, não permite medir a visão com rigor nem observar as estruturas internas do olho. Por isso, o médico pode concluir que o caso precisa de observação presencial, e essa é precisamente uma das utilidades da teleconsulta: distinguir o que pode ser orientado à distância do que deve ser visto de perto, e encaminhar sem demora quando necessário. Qualquer decisão sobre medicação é sempre clínica e tomada caso a caso, sem emissão automática nem garantida de receita.
Sinais de alarme: quando é urgência oftalmológica presencial
Nem todo o olho vermelho é uma conjuntivite simples. Há sinais que apontam para situações potencialmente graves, que exigem observação presencial urgente, habitualmente por oftalmologia, e nos quais a teleconsulta não é o caminho adequado.
Perante qualquer destes sinais, contacte o SNS 24 através do 808 24 24 24 para triagem e aconselhamento, ou dirija-se a um serviço de urgência. Em situação de emergência, ligue 112.
- Dor ocular intensa, que não alivia e vai além do ardor ou da sensação de areia
- Diminuição da visão, visão turva persistente ou halos à volta das luzes
- Fotofobia marcada: intolerância importante à luz
- Traumatismo do olho, corpo estranho ou contacto com produtos químicos
- Olho vermelho em quem usa lentes de contacto, pelo risco de infeção da córnea
- Conjuntivite em recém-nascidos, que exige sempre observação médica urgente
- Vermelhidão e inchaço das pálpebras com dor e febre, ou agravamento rápido apesar das medidas iniciadas
Nunca automedicar com colírios com corticoide
Os colírios com corticoide só devem ser usados com prescrição e acompanhamento médico, habitualmente por oftalmologia. Usados na infeção errada, por exemplo em certas infeções da córnea, podem mascarar os sintomas enquanto a lesão progride e causar dano grave e permanente à visão. O uso prolongado sem vigilância acarreta ainda outros riscos oculares.
O mesmo princípio vale para colírios antibióticos guardados de episódios anteriores: a escolha do tratamento depende da causa, que deve ser avaliada por um médico. Em caso de dúvida sobre um colírio de venda livre, aconselhe-se com o médico ou o farmacêutico.
Olho vermelho, comichão ou secreções? Fale com um médico por videoconsulta e saiba se o seu caso pode ser orientado à distância.
Marcar consulta →Perguntas frequentes
- Como se trata a conjuntivite?
- Depende da causa. Muitos casos ligeiros, sobretudo virais, melhoram com medidas de higiene e alívio: limpeza das secreções, compressas frias e lágrimas artificiais. O médico avalia cada caso e decide se há indicação para tratamento específico. Nunca use colírios com corticoide sem indicação médica.
- A conjuntivite é contagiosa? Posso ir trabalhar ou levar a criança à escola?
- As conjuntivites virais e bacterianas são contagiosas, sobretudo através das mãos e de objetos partilhados; a alérgica não é. A decisão sobre afastamento da escola ou do trabalho depende do caso concreto e da avaliação do médico. Reforce a higiene das mãos e evite partilhar toalhas e almofadas.
- Uma consulta online serve para avaliar uma conjuntivite?
- Em muitos casos ligeiros, sim: o médico avalia a história e observa o olho pela câmara, orienta as medidas de alívio e decide se há indicação para tratamento. A câmara tem limites e não substitui o exame oftalmológico, pelo que o médico pode encaminhar para observação presencial se necessário.
- Quando devo ir à urgência por causa de um olho vermelho?
- Procure observação presencial urgente se tiver dor ocular intensa, diminuição da visão, intolerância marcada à luz, traumatismo ou contacto com químicos, se usar lentes de contacto, ou se se tratar de um recém-nascido. Contacte o SNS 24 (808 24 24 24) para triagem ou, em emergência, ligue 112.
- Posso usar um colírio que tenho em casa de uma conjuntivite anterior?
- Não é recomendável. O tratamento depende da causa, e um colírio errado pode atrasar a resolução ou agravar a situação. Os colírios com corticoide, em particular, nunca devem ser usados sem prescrição e acompanhamento médico, pelo risco de dano grave à visão.
Fontes
Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica. Qualquer emissão de receita, atestado ou requisição de exames é sempre uma decisão do médico, avaliada em consulta.