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Doenças agudas

Alergias de primavera: rinite, sintomas e tratamento

6 min de leituraConteúdo informativo, em revisão clínica.

Com a chegada da primavera, os níveis de pólenes no ar sobem e, com eles, os espirros em salva, o nariz a pingar ou entupido, a comichão no nariz e nos olhos e o lacrimejo. É a rinite alérgica sazonal, uma das doenças alérgicas mais comuns, que afeta uma parte significativa da população e pode perturbar de forma real o sono, a concentração e o dia a dia, apesar de muitas vezes ser desvalorizada como um simples incómodo.

Este artigo explica o que é a rinite alérgica sazonal, como reduzir a exposição aos pólenes, que opções de tratamento existem em termos gerais, a relação com a asma e a conjuntivite alérgica e o que uma videoconsulta pode resolver. A informação é educativa e não substitui a avaliação individual feita por um médico. Em caso de emergência, ligue 112.

O que é a rinite alérgica sazonal e como se manifesta

A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa do nariz desencadeada por uma reação do sistema imunitário a substâncias inofensivas para a maioria das pessoas, os alergénios. Na forma sazonal, os principais responsáveis são os pólenes de gramíneas, ervas e árvores, cujas concentrações no ar aumentam sobretudo na primavera.

Os sintomas típicos incluem espirros repetidos, corrimento nasal aquoso, nariz entupido, comichão no nariz, no céu da boca ou na garganta, e frequentemente sintomas oculares associados. Ao contrário de uma constipação, a rinite alérgica não causa febre, tende a prolongar-se enquanto durar a exposição ao pólen e melhora ou agrava consoante o ambiente e o tempo.

Evicção de pólenes: reduzir a exposição faz diferença

A primeira linha de qualquer estratégia é reduzir o contacto com os pólenes, na medida do possível. Em Portugal, existe informação pública sobre as concentrações de pólenes no ar ao longo do ano, através do boletim polínico divulgado pela Rede Portuguesa de Aerobiologia, da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), que ajuda a antecipar os dias de maior risco e a ajustar as rotinas.

Nenhuma medida isolada elimina a exposição, mas o conjunto reduz a carga de alergénios a que está sujeito no dia a dia.

  • Consulte o boletim polínico e, nos dias de contagens altas, reduza as atividades prolongadas ao ar livre
  • Mantenha as janelas fechadas nos períodos de maior concentração de pólen, em casa e no carro
  • Use óculos de sol na rua para reduzir o contacto do pólen com os olhos
  • Ao chegar a casa, tome banho e mude de roupa para remover o pólen acumulado
  • Evite secar a roupa ao ar livre nos dias de contagens elevadas

Tratamento: opções gerais, sempre com avaliação médica

Existem hoje tratamentos eficazes para a rinite alérgica, que permitem à maioria das pessoas controlar bem os sintomas. Em termos gerais, as opções incluem os anti-histamínicos, que aliviam os espirros, a comichão e o corrimento, e os sprays nasais com ação anti-inflamatória, que atuam sobre a inflamação da mucosa e são particularmente úteis quando a obstrução nasal domina. Lavagens nasais com soro fisiológico ou água do mar também ajudam como medida de suporte.

A escolha do tratamento, a sua combinação e a duração devem ser definidas com um médico, em função dos sintomas, da sua intensidade, da idade e das restantes condições de saúde. Mesmo os medicamentos de venda livre beneficiam de aconselhamento, sobretudo se os sintomas são frequentes, se prolongam ou interferem com o sono e o dia a dia: sintomas persistentes merecem avaliação, não apenas alívio pontual repetido ano após ano.

Rinite, asma e conjuntivite alérgica: tudo ligado

A rinite alérgica raramente vem sozinha. Os mesmos pólenes que inflamam o nariz podem atingir os olhos, causando conjuntivite alérgica, com comichão ocular intensa, vermelhidão e lacrimejo nos dois olhos. E a ligação mais importante é com a asma: as vias respiratórias superiores e inferiores funcionam como um todo, uma parte das pessoas com rinite tem também asma, e uma rinite mal controlada pode dificultar o controlo da asma.

Por isso, quem tem rinite e nota tosse persistente, pieira, aperto no peito ou falta de ar com os esforços deve referi-lo ao médico: pode ser necessário avaliar a existência de asma e tratar as duas condições em conjunto.

Quando pensar em imunoalergologia: testes e imunoterapia

Quando os sintomas são intensos, prolongados ou não respondem ao tratamento habitual, ou quando há dúvidas sobre qual o alergénio responsável, o médico pode referenciar para uma consulta de imunoalergologia. Aí podem ser realizados testes de alergia, que ajudam a identificar os alergénios relevantes para cada pessoa.

Em casos selecionados, o imunoalergologista pode propor imunoterapia com alergénios, habitualmente conhecida como vacinas da alergia: um tratamento prolongado que atua sobre a causa da alergia e não apenas sobre os sintomas. A indicação, o esquema e o acompanhamento são sempre definidos pelo especialista.

O que a videoconsulta resolve e sinais de alarme

A rinite alérgica presta-se bem à telemedicina: numa videoconsulta, o médico avalia os sintomas e a sua sazonalidade, revê o que já experimentou, ajusta o tratamento quando clinicamente indicado e pondera a renovação da medicação habitual de quem já tem alergia conhecida. Pode também avaliar a necessidade de referenciação a imunoalergologia. Como sempre, qualquer prescrição é uma decisão clínica tomada na consulta, sem emissão automática nem garantida de receita.

Há, no entanto, situações que não devem esperar por uma teleconsulta. Perante qualquer sinal de alarme, contacte o SNS 24 através do 808 24 24 24 para triagem, ou dirija-se a um serviço de urgência. Em situação de emergência, como dificuldade grave em respirar ou suspeita de reação alérgica generalizada, ligue de imediato para o 112.

  • Falta de ar, pieira intensa ou aperto no peito que não aliviam, sobretudo em quem tem asma
  • Crise de asma que não responde à medicação de alívio habitual
  • Sinais de reação alérgica grave: inchaço da face, dos lábios ou da garganta, dificuldade em respirar ou em engolir, tonturas ou desmaio, erupção súbita generalizada
  • Febre alta, dor na face ou secreções com mau cheiro, que sugerem infeção e não alergia
  • Sintomas oculares com dor intensa, baixa de visão ou intolerância marcada à luz

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Perguntas frequentes

Como sei se é alergia ou constipação?
A rinite alérgica causa espirros em salva, comichão no nariz e nos olhos e corrimento aquoso, sem febre, e prolonga-se enquanto durar a exposição ao pólen. A constipação instala-se e resolve em poucos dias e pode cursar com mal-estar geral. Em caso de dúvida, o médico pode ajudar a distinguir e a orientar o tratamento.
Qual é o melhor tratamento para a rinite alérgica?
Não há um tratamento único para todos. Em termos gerais, as opções incluem anti-histamínicos, sprays nasais anti-inflamatórios e lavagens com soro, além da evicção dos pólenes. A escolha e a combinação devem ser definidas com um médico, em função dos sintomas e de cada pessoa.
Uma consulta online serve para tratar a alergia da primavera?
Em muitos casos, sim: o médico avalia os sintomas, ajusta o tratamento quando clinicamente indicado, pondera a renovação da medicação habitual de quem já tem alergia conhecida e decide se há lugar a referenciação a imunoalergologia. A prescrição é sempre uma decisão clínica tomada na consulta.
O que são os testes de alergia e as vacinas da alergia?
Os testes de alergia, feitos em consulta de imunoalergologia, ajudam a identificar os alergénios responsáveis pelos sintomas. A imunoterapia com alergénios, conhecida como vacinas da alergia, é um tratamento prolongado que atua sobre a causa da alergia, proposto pelo especialista em casos selecionados.
A rinite alérgica pode piorar a asma?
Pode. As vias respiratórias funcionam como um todo e uma rinite mal controlada pode dificultar o controlo da asma. Se tem rinite e nota pieira, tosse persistente ou falta de ar, refira-o ao médico. Uma crise de asma que não alivia com a medicação habitual é motivo para procurar ajuda urgente.

Fontes

Este artigo é informativo e não substitui uma consulta médica. Qualquer emissão de receita, atestado ou requisição de exames é sempre uma decisão do médico, avaliada em consulta.

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